segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A2 Ética na investigação cientifica

Ética na investigação científica

A preocupação ética relativamente aos novos desenvolvimentos científicos e tecnológicos tem dado origem ao surgimento de novos campos de trabalho interdisciplinares, a Bioética é disso um exemplo, onde convergem competências provenientes das Ciências Exactas e Naturais, das Tecnologias, da Filosofia, do Direito, etc.
Procura-se estabelecer os fundamentos da Ética na investigação e deduzir regras de Comportamento Ético para uso dos investigadores.

A preocupação ética aumenta em proporção com a capacidade humana para interferir com a Natureza; a Ética é a consciência colectiva que avisa que ao aumento das capacidades tecnológicas corresponde um aumento da responsabilidade de quem delas faz uso.

Sendo a ética um produto da evolução, sendo o processo de selecção natural responsável pela homologação e rejeição dos desenvolvimentos tecnológicos, fará sentido pedir ao cientista que se questione sobre os seus trabalhos de investigação? Não poderá ele empenhar-se a fundo no desenvolvimento e deixar à selecção natural a incumbência de atribuir o justo valor a cada novo desenvolvimento? A verdade é que a ética foi precisamente um dos mecanismos que a selecção arranjou para protecção do organismo social. Podemos ver a ética como um sistema de imunidade do organismo, pronto a actuar onde se manifeste uma infecção capaz de pôr em risco a saúde. A ética actua de forma essencialmente preventiva; o organismo social dispõe de outros meios de protecção, de tipo activo, cuja função é curar as doenças, se necessário segregando as células infectadas.

O comportamento ético não tem regras fixas e universais; o investigador deve perguntar-se continuamente se o seu trabalho é feito em prol deste organismo planetário, que é a humanidade, com a consciência de que o organismo tem os seus meios próprios de aceitação e rejeição. Os códigos de ética existentes em vários sectores de actividade são auxiliares para a decisão individual, mas não são estes códigos que, de facto, estabelecem as regras da ética.


Alguns princípios gerais de ética:

1. Competência profissionalManter o mais elevado nível de competência profissional no seu trabalhoReconhecer as limitações da sua especializaçãoSó aceitar as tarefas para as quais estiver preparadoReconhecer necessidade de formação contínua para se manter actualizado

2. IntegridadeRelacionamento honesto, correcto e respeitador dos outros profissionaisNão fazer declarações / afirmações falsas ou enganadoras

3. Responsabilidade profissional e científicaManter o mais elevado padrão ético na sua conduta profissional para não prejudicar a imagem e reputação da comunidade profissional e científica de que faz parte

4. Respeito pelos direitos, dignidade e diversidade das pessoasEvitar qualquer forma de discriminação com base na idade, género, raça, nacionalidade, religião, orientação sexual, deficiência, condições de saúde, estado civil, relações familiaresReconhecer nos outros o direito de ter valores, atitudes e opiniões diferentes da sua

5. Responsabilidade socialTem obrigações para com a comunidade em que vive e trabalha, pelo que deve tornar público os resultados da sua investigaçãoContribuir para o avanço da ciência e para o bem público com a sua investigação».